
Texto por: Caroline Manzan
Quando nos formamos na universidade, fazemos ali um compromisso com o propósito daquela profissão. Quando decidimos trabalhar com pesquisa clínica, temos que estar cientes de que estamos fazendo, no mínimo, quatro compromissos.
Inspirada pelo autor Don Miguel Ruiz, que escreveu o livro “Os Quatro Compromissos” como um código para a vida, percebi-me pensando quais seriam esses para nós, profissionais de pesquisa clínica e vou dividir aqui com vocês:
1. Saiba o que está fazendo
Estude. Estude muito. Estude o GCP, o protocolo, as regulamentações, os procedimentos operacionais padrão e os guias. Entenda passo a passo do que será feito e como será feito naquele estudo. Uma base forte de conhecimento vai te dar liberdade de pensamento crítico, pensamento de risco.
Estude para perceber desvios e para ajustar a rota quando necessário. Empenhe-se nesse estudo. Dedique tempo de qualidade.
O conhecimento sólido te leva a aderência e essa aderência nos leva à qualidade e a ética que se torna possível com um catalisador chamado: atitude.
2. Todos os envolvidos estão trabalhando pelo mesmo objetivo
Patrocinadores, centros de pesquisa, comitês de ética, fornecedores. Todos estão trabalhando com o foco no participante de pesquisa e sob a mesma base regulatória.
Muitas vezes observo discussões que parecem mais um cabo de guerra, onde cada um puxa pra um lado tentando provar a sua verdade, que a “culpa” de ter acontecido algum equívoco é do outro. Esse comportamento é totalmente ilusório. Quando algo da errado, todos estamos do mesmo lado para fazer aquilo dar certo.
Para proteger o participante, os dados e o medicamento experimental. Foco no processo e no risco envolvido na situação.
3. Faça perguntas para elucidar
Você não consegue estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Então acredite, se você não estava presente durante determinado procedimento, você não sabe o que aconteceu.
Pratique fazer perguntas para entender o que os seus colegas de área fizeram naquela determinada situação. Faça perguntas abertas para que exista ambiente de elucidação. Interesse-se verdadeiramente pela verdade do fato. Sem julgamento, mas com a intenção de entender e documentar o que realmente te aconteceu.
Somente com a verdade em mãos podemos traçar planos de ação e causas-raiz para melhorarmos a cada dia.
4. Esteja presente e inteiro
A presença e o foco mudam a velocidade e a qualidade do seu trabalho, trazendo o seu melhor à tona.
Só é possível resolver um problema de cada vez, ler um e-mail de cada vez, participar de uma reunião de cada vez, coletar um dado de cada vez e atender um paciente de cada vez.
A atenção dividida causa erros, distrações. Por isso, cuidados com todas as notificações que nos chegam no dia a dia. Será que elas são realmente necessárias ou elas nos deixam num estado ansioso desnecessário?
Relógios, telefones e computadores que nos estimulam frequentemente durante outras atividades. As máquinas estão para nos servir e não o contrário. Estão para nos ajudar e não para nos desajustar.
E, para que isso funcione, você precisa comandar bem as suas máquinas por meio de configurações que te ajudem, que te elevem e que te deem suporte. A sua atenção impacta os resultados do estudo.
Esses compromissos são feitos quando assinamos contratos de trabalho, de parceria e a cada dia quando iniciamos a nossa jornada de trabalho.
Que ações você pode implementar para que a sua conduta esteja alinhada a esses compromissos?
Quando um profissional faz a diferença, a pesquisa clínica fica melhor e, com isso, influencia todo um ecossistema para o bem.



