
Texto por: Caroline Manzan
As pessoas da sua equipe são parte fundamental do seu resultado. Na pesquisa clínica, ninguém trabalha sozinho e, se tivéssemos que usar uma fórmula de sucesso, eu diria que pessoas comprometidas e bem treinadas somadas a processos bem estruturados e documentados levarão a resultados incríveis.
A questão é que existe um engano na conotação de trabalho em equipe. Nos anos que trabalhei como gerente de pessoas, era comum que uma pessoa fosse bem avaliada no trabalho em equipe se ela ajudasse outras pessoas com o trabalho delas. Eu traduziria essa ação como empatia ou altruísmo porque essa ação é uma parte muito limitada do que realmente precisamos das nossas equipes.
Em primeiro lugar, cada indivíduo deve estar conectado ao propósito, à missão, à visão e aos valores do centro de pesquisa, patrocinador e estudo. Todos remando para a mesma direção. Além disso, o trabalho exige que cada profissional realize bem as suas próprias tarefas para que o próximo possa trabalhar com uma boa matéria-prima. Todos são como elos de uma mesma corrente.
Por exemplo, a coordenadora pode fazer uma triagem de pacientes para que o investigador faça uma boa análise da elegibilidade destes pacientes. O investigador precisa documentar tudo em detalhes para que os dados sejam corretamente extraídos pelo data entry e inseridos na ficha clínica para que o monitor possa fazer uma última checagem antes de liberar o dado para o banco de dados.
A qualidade é sempre feita em camadas sobrepostas de comprometimento e responsabilidade. E cada profissional que faz o seu trabalho dessa forma é uma camada importante do processo.
Quando um elo da corrente está rompido, o próximo elo fica sobrecarregado e precisa fazer o trabalho por 2 pessoas ou até mais, e é aí que o risco aumenta. E o risco em pesquisa clínica é medido pelo possível impacto nos participantes, nos dados e no medicamento experimental.
Desenvolver uma equipe coesa é mitigar o risco e, para que isso ocorra de forma adequada, eu elencaria 5 passos:
- Clareza de propósito – não tenha medo de ser repetitivo. Eleve o propósito do centro, empresa e/ou estudo que você está trabalhando em toda oportunidade.
- Clareza de papéis – cada profissional deve saber o que está dentro do seu escopo de forma clara e como isso se encaixa no sistema como um todo.
- Sensibilização da equipe quanto à ética e qualidade – mostrar exemplos do impacto da quebra de um dos elos e como cada um é responsável por não deixar que isso aconteça.
- Acompanhamento constante por meio de metas – objetivos claros tornam o caminho mais fácil. Aqui vale lembrar que os objetivos intermediários mostram a progressão em relação ao resultado e não tem nada que motive mais do que o progresso.
- Celebrar – reconhecer é essencial. Costumamos focar no que ainda falta ser feito, mas, e aquilo que já foi concluído com êxito? Aquelas atividades, aqueles processos que te mantêm no caminho certo? Celebrem!! A celebração pode ser algo simples como um mural de post-its do que for sendo feito. Essa ação constrói um mural visual de conquistas da equipe como um todo e fortalece o pertencimento desses profissionais a essa unidade.
A sua equipe é o seu ativo mais valioso. Uma equipe coesa vai longe e chega a resultados extraordinários por meio do ordinário bem-feito.



