
Texto por: Eduardo Motti
Ariano Suassuna tem ótimas tiradas. Ele diz: “Tudo o que é bom de viver é ruim de contar, e tudo o que é ruim de viver é bom de contar”. Ele quer dizer que o interesse dos ouvintes sobre nossas vitórias é muito menor do que sobre nossos perrengues.
Na pesquisa clínica temos bons exemplos disso, quem lê um relatório de uma visita de monitoria percebe facilmente que as “pisadas na bola” dominam eventuais boas notícias. Nas reuniões com profissionais da pesquisa, as críticas e reclamações, hoje chamados de chororô e mimimi, transformam esses encontros, muitas vezes, em uma sessão de terapia em grupo.
Quando explicamos a pesquisa clínica para nossa família ou amigos, o clima é outro, falamos do propósito desse trabalho, do benefício que os pacientes têm por participar de um estudo, do relacionamento que se estabelece com o pessoal dos centros, da felicidade de ver uma nova droga chegar às farmácias porque nós contribuímos para isso. Sem dizer, mas já dizendo, é o que nos mantêm nessa atividade.
Quem já teve a experiência de participar de uma convenção de profissionais de vendas da indústria farmacêutica, antes chamados de propagandistas (o termo caiu em desuso), pôde notar a diferença com nossos encontros de pesquisa, as conversas têm outro astral, são positivas, alegres e até inspiradoras. Os propagandistas existem há 100 anos, profissionais da pesquisa há 30. Eles devem ter alguma coisa para nos ensinar.
Como tornar a atividade de pesquisa clínica tão boa para os profissionais, como é para os pacientes (ou participantes)? Aqui vão algumas ideias:
1º. Pesquisa clínica é para você? Diga sim se você gosta de estudar, tem prazer em se relacionar com pessoas de personalidades variadas, gosta de ensinar e de entender e atender as necessidades do outro.
2º. Você sabe o que está fazendo? Diga sim se conhece bem o protocolo do estudo, as regras da pesquisa clínica, se você tem um plano para as atividades do seu dia e quem são as pessoas que podem te ajudar no trabalho.
3º. Você consegue manejar bem os imprevistos e encontrar soluções aceitáveis para as partes envolvidas?
Tudo isso pode ser treinado e aprendido, requer bastante esforço pessoal, energia e vontade de crescer profissionalmente. É uma obrigação tanto das empresas envolvidas na pesquisa clínica como dos profissionais.



